sábado, 30 de agosto de 2014

Não quero rosas,




Não quero rosas,
desde que haja rosas.
Quero-as só quando
não as possa haver.
Que hei-de fazer das coisas
Que qualquer mão pode colher?
Não quero a noite senão
quando a aurora
A fez em ouro e azul se diluir.
O que a minha alma ignora
É isso que quero possuir.
Para quê?... Se o soubesse, não faria
Versos para dizer que inda o não sei.
Tenho a alma pobre e fria...
Ah, com que esmola a aquecerei?...

-** Fernando Pessoa** -

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