quinta-feira, 16 de junho de 2016

A SAUDADE
A saudade é também a verdade
Descrita no nosso coração
Com pênas encontradas
Entre locais definidos.
Puxados por aragens de amor
Ou pensamentos clandestinos
Que se não compadecem
Se podem ou não, mudar destinos.

A saudade é também sensiblidade
De um ser humano que ama
Mesmo sem ser bem recebido
Ou porque se encontra distante.
Um coração nunca é pequeno
Confia e espera no futuro
Nunca cansando de viajar
Reforçada se é um emigrante.

A saudade é também felicidade
Porque sente mais as raìzes
À muito tempo cuidadas
Pelo amor que lhe dedicaram.
Do amor o coração se alimenta
Para possuir a disponiblidade
De viajar e ouvir esse alguém
Que do outro lado quer chamar.

Que saudades eu tenho do passado
Não das chuvas ou dos maus tempos
Mas sim de tudo o que a aldeia era.
De todo o campo que era semeado
Quer ás chuvas quer aos ventos
Bela era a natureza da minha terra.

Em cada cantinho um milheiro
Em cada valado uma alface
Que de ablidades naqueles talheiros.
Asim era em cada ano inteiro
Levasse o tempo que levasse
Tudo para o pão, por alguns dinheiros.

Por cada campo se ouvia a cantar
Era a alegria daquelas gentes
Para dar largas á sua cumplicidade.
O tempo era melhor de passar
Era como cantar ás sementes
Que cresciam com naturalidade.

Que saudades tenho eu meu Deus
Não da incerteza das colheitas
Mas daquela humildade de viver.
Tantas vezes se olhava os céus
Pedindo que as searas feitas
Deus as ajudasse a crescer.

Agora enquanto vivo de saudades
Louvo todos os pais e todas as mães
Por tantos bons exemplos dados.
Ao ver hoje certas propriedades
Me digo que já não são bens
Mas sim campos desenfeitados.
Antonio Gonçalves
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