segunda-feira, 10 de abril de 2017

DUAS VEZES CRIANCAS


DUAS VEZES CRIANCAS
Voltamos a ser meninos
Diz-nos um ditado bem antigo
Ouvido citar por nossos pais
Quando dos velhinhos falavam.
Vemos hoje pessoas que seus destinos
Terminam bem à deriva
Sem a presença do amor dos seus
Que de melhor fim necessitavam.
Sistemas da nossa sociedade
Que inventou modos lucrativos
Puxando o povo a ter que correr
E convidà-los à vaidade !
Falta tempo para a solidariedade
A sinceridade ficou a perder
Fizeram abrigos para velhinhos
Por vezes obrigados a là morrer.
Quando as forças se terminam
São levados por braços desconhecidos
Para acabarem ali arrumados
Como as crianças que desatinam.
Esgotados por tanto terem amado
Encontram-se a recordar seu passado
Quando tudo deram a seus filhinhos
Partem desolados sem tal merecer.
Tanto amor ofereceram na vida
Com gestos que a iducação lhe deu
Ai este mundo novo apressado
Que comete pecados que bradam ao Céu.
Serà bem triste ser velhinho
Depois de uma vida tão cansada
Pelo longo e duro caminho
Por onde a sua vida agradava.

António Gonçalves Martins Pereira
 

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